Considerações iniciais
Ainda é muito comum, nos
dias atuais, encontrar pessoas constrangidas ou mesmo
aterrorizadas quando ouvem falar de Espiritismo, pois
elas imaginam a ação do "Espírito do mal".
Se você pensa
assim e acredita que Espiritismo não é uma doutrina
cristã, nós o convidamos a abrir estas páginas.
O objetivo deste
trabalho é dar-lhe uma breve idéia do que é a Doutrina
Espírita. Queremos despertar a sua curiosidade de forma
que lhe permita formar um juízo pessoal, independente de
todas as crendices e tolices oriundas do pensamento dos
que nada entendem do assunto.
Não temos a
pretensão de ser donos da verdade, pois , acreditamos
que nenhum grupo, religião ou seita detém o privilégio
de monopolizá-la.
Com a finalidade de levar um esclarecimento simples e
objetivo sobre o assunto, esta pequena obra foi
elaborada na forma de perguntas e respostas que foram
escolhidas visando dissipar dúvidas e preconceitos
existentes entre os que não conhecem a Doutrina Espírita,
contribuindo, assim, para o esclarecimento. Procuraremos
fundamentar as idéias em citações bíblicas e de
estudiosos do assunto para melhor entendimento do que
pretendemos expor.
"A ignorância dos
princípios fundamentais é causa das falsas apreciações
da maior parte dos que julgam o que não compreendem, ou
que o fazem com base em idéias preconcebidas."
(Allan Kardec)
TÓPICO DE PERGUNTAS
Os
textos das Sagradas Escrituras são ricos em elementos
necessários para o nosso entendimento das coisas divinas.
Como é do conhecimento de todos, enquanto o Velho
Testamento expõe a tradição dos hebreus, seus mestres,
reis e profetas, o Novo Testamento retrata a vida, obra
e ensinamentos do Mestre Jesus. Ele afasta a opressão
contida nas leis civis feitas pelo próprio Moisés e
clarifica as leis morais, que são os Dez Mandamentos,
ditados por Deus. Há, no Novo Testamento, a nítida
substituição do olho por olho, dente por dente, pelas
mensagens de perdão e de amor a Deus e ao próximo. Além
disso, Jesus veio mostrar que a morte não existe e que a
alma sobrevive ao corpo carnal.
A imortalidade da alma é fato incontestável e
definitivamente demonstrado pelo Mestre quando de Sua
passagem pelo planeta.
"Eu sou a
ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra
viverá." - (João 11:25)
Infelizmente em
pleno alvorecer de uma nova era, muitos homens ainda
permanecem atrelados às velhas concepções, com medo da
verdade, receosos de rever conceitos e reestruturar
posturas. Permanecem na superficialidade das coisas, sem
compreenderem as verdades que a Bíblia verdadeiramente
ensina, a racionalidade confirma e a própria ciência já
começa a aceitar.
Na Bíblia, a
condenação da comunicação com os Espíritos aparece no
Velho Testamento, em citações tais como estas:
"Não vos virareis
para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis,
contaminando-vos com eles: Eu sou o Senhor vosso Deus."
- (Levíticos 19.31)
Contudo, no
próprio Velho Testamento, a prática da comunicação com
os mortos é citada como tendo a aprovação de Moisés.
"Porém no arraial
ficaram dois homens; o nome de um era Eldade, e o nome
do outro Medade; e repousou sobre eles o Espírito (porquanto
estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda),
e profetizavam no arraial.
Então correu um moço, e o anunciou a Moisés, e disse:
Eldade e Medade profetizam no arraial. E Josué, filho de
Num, servidor de Moisés, um dos seus mancebos escolhidos,
respondeu, e disse: Senhor meu, Moisés, proíbe-lho.
Porém Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes de mim? Oxalá
todo o Povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes
desse o seu Espírito! Depois Moisés se recolheu ao
arraial, ele e os anciãos de Israel." - (Números
11.26-30).
Jesus, no Novo
Testamento, não só não condena a comunicação com os
mortos, como a pratica e confirma.
"Seis dias depois,
toma Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu
irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, E
transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandesceu como o sol, e as suas vestes se tornaram
brancas como a luz. E eis que lhes aparecerem Moisés e
Elias, falando com ele" - (Mateus 17.1-3).
Um dos pontos em
que se fundamentam os que condenam tais práticas é a
palavra de Moisés no Velho Testamento. Necessário
analisarmos a questão à luz da razão.
Se as leis civis de Moisés utilizadas para o controle do
povo judeu, como a condenação da comunicação com os
Espíritos, devem ser obedecidas na atualidade, então por
que não devemos também apedrejar adúlteras ou cortar as
mãos dos ladrões como tais leis também exigem? Evidente
que seria um contra-senso para os dias atuais.
Além do mais, há que se considerar as razões pelas quais
o legislador hebreu determinou tal lei. Ele necessitava
de mais rigor para disciplinar um povo naturalmente
rebelde e distante das coisas divinas.
Moisés precisou coibir tal coisa, porque a prática da
consulta aos mortos tinha se tornado uma constante entre
o povo e naturalmente o abuso deu vazão a toda sorte de
problemas decorrentes dos aproveitadores da ignorância
humana. E depois, convenhamos: se ele proibiu a evocação
dos mortos, certamente era porque eles poderiam vir até
nós.
Por outro lado, há no Velho como no Novo Testamento,
inúmeras citações de claras situações onde se praticava
com muita naturalidade a evocação dos Espíritos. E isto
é completamente desconsiderado pelos que condenam a
Doutrina Espírita. Se as Escrituras funcionam como
autoridade nesse campo, porque não o é em outros?
O que não pode ser aceito pelo homem da atualidade é que
seja feito um julgamento (e condenação) de uma religião
ou crença, baseado na parcialidade da Lei com propósitos
de conveniência. A verdade não tem diferentes faces e o
verdadeiro cristão deve seguir o modelo de Jesus e se
espelhar nos seus ensinamentos, vivenciando o amor e
respeito aos seus semelhantes.
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Diversas passagens de maneira clara ou indireta,
contidas nos ensinamentos de Jesus e dos profetas,
mostram que a reencarnação está na Bíblia:
"Jesus respondeu,
e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele
que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo
velho? Por ventura pode tornar a entrar no ventre de sua
mãe, e nascer?
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que
aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode
entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do
Espírito é espírito.
Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é
nascer de novo.
O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não
sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele
que é nascido do Espírito.
Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e
não sabes isto?
Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que
sabemos e testificamos o que vimos: e não aceitais o
nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como
crereis, se vos falar das celestiais?" - (João
3.3-12).
"Eis que eu vos
envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e
terrível do Senhor;
E converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração
dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a
terra com maldição" - (Malaquias 4.5-6).
"E, descendo eles
do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis
a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dos
mortos.
E os discípulos o interrogaram, dizendo: porque dizem
então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá
primeiro e restaurará todas as coisas;
Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas
fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também
padecer o filho do homem.
Então entenderam os discípulos que lhes falara de João
Batista" - (Mateus 17.9-13).
"Porque, eu te
peço, pergunta agora às gerações passadas, e prepara-te
para a inquirição de seus pais. Porque nós somos de
ontem, e nada sabemos, porquanto nossos dias sobre a
terra são como a sombra" - (Jó 8.8-9).
"Mas alguém dirá:
Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?
Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se
primeiro não morrer" - (I Corintios 15.35-36).
A reencarnação não
foi inventada pelo Espiritismo. Ela consta nos
princípios de diversas religiões orientais desde a mais
remota antiguidade. E como mostra as citações acima, ela
está explícita ou implicitamente contida na Bíblia,
sendo necessárias as mais fantasiosas explicações para
colocar ali outro sentido que não as múltiplas
experiências na carne.
Racionalmente não há como negar a reencarnação. Se
tivéssemos apenas uma oportunidade de vida terrena, a
justiça de Deus seria incompreensível. O Pai, em sua
imensa sabedoria, criou seus filhos em igualdade de
condições e deu a eles igualmente as mesmas
oportunidades de crescimento. Não fosse assim teríamos
que admitir um Deus parcial, intolerante, injusto e
severo, que permitiria todas as misérias e desigualdades
sempre existentes no mundo, aquinhoando uns e castigando
outros a seu bel prazer.
A pluralidade das existências é, pois, necessária ao
aprimoramento das qualidades do ser imortal e para bem
entender a justiça de Deus. Só pelas múltiplas
oportunidades de vida poderemos compreender o amor do
Criador por suas criaturas. Ele permite o aprendizado na
carne para a conquista da verdadeira morada , a vida
espiritual, através do esforço de cada um em vencer suas
más tendências para atingir a plenitude, a perfeição.
Somos todos seres atrelados às leis divinas que regem o
universo, quer acreditemos ou não. Uma delas é a lei de
evolução dos seres. Seria insensatez supor que em apenas
uma existência terrena, atingiremos a tão sonhada
perfeição de que nos fala o Mestre em Mateus,
capítulo V, versículos 44-48:
"Sede vós logo
perfeitos, assim como vosso Pai Celestial é perfeito".
"Somente a
reencarnação pode dizer ao homem de onde ele vem, para
onde vai, por que se encontra na Terra e justificar
todas as anomalias e todas as injustiças aparentes da
vida" - (Allan Kardec).
"Se a nossa
esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos
os mais infelizes de todos os homens" - (I Corintios
15.19).
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O
termo "Espiritismo" é sinônimo de Doutrina Espírita,
porém, frequentemente, é utilizado erroneamente para
designar qualquer prática do mediunismo (comunicação com
os Espíritos), ou confundido com cultos afro-brasileiros
(Umbanda, Candomblé, entre outros).
O Espiritismo é uma doutrina que trata da natureza, da
origem e do destino dos Espíritos e de suas relações com
a vida material. Foi revelada por Espíritos Superiores e
codificada (organizada) em 1857 por um professor francês
conhecido como Allan Kardec.
Surgiu, pois, na França, há mais de um século. Traz em
si três faces: filosofia, ciência e religião (moral).
Os adeptos da Doutrina Espírita são os espíritas e suas
práticas se baseiam no estudo das obras básicas da
Codificação e na assistência material e espiritual aos
necessitados.
O Espiritismo possui cinco princípios básicos, de onde
procedem todas as suas práticas:
1 - A existência do Espírito e sua sobrevivência após a
morte.
"Seis dias depois,
tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu
irmão, e os conduziu em particular ao alto monte, e
transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu
como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como
a luz.
E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com
ele" - (Mateus 17.1-3).
Veja também: I Pedro 3.19-20 - I Pedro 4.6 - Marcos
12.26-27 e Romanos 11.15.
2 - A
reencarnação.
"Porque todos os
profetas e a lei profetizaram até João.
E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de
vir.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" -
(Mateus
11.13-15).
Veja também: Mateus
17.9-13 e João 3.3-13
3 - A lei de causa
e efeito.
"Então Jesus
disse-lhe: Enfia no seu lugar a tua espada; porque todos
que lançarem mão da espada à espada morrerão"
-
(Mateus 26.52).
"Não erreis: Deus
não se deixa escarnecer; porque tudo que o homem semear,
isso também ceifará" - (Gálatas 6.7).
Veja também:
Mateus 18.7
4 - A comunicação
entre o mundo material e espiritual.
"E nos últimos
dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito
derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as
vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão
visão, e os vossos velhos sonharão sonhos;
E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos
e minhas servas naqueles dias, e profetizarão."
- (Atos
2.17-18).
"E disse-me o
Espírito que fosse com eles, nada duvidando; e também
estes seis irmãos foram comigo, e entramos em casa
daquele varão." - (Atos 11.12).
Veja também:
Mateus 17.1-3 - I Samuel 28.11-20 e Números 11.26-30
5 - A evolução
progressiva dos Espíritos.
"Um semeador saiu
a semear a sua semente, e, quando semeava, caiu alguma
junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a
comeram;
E outra caiu sobre pedra, e, nascida, secou-se, pois que
não tinha umidade;
E outra caiu entre espinhos, e crescendo com ela os
espinhos, a sufocaram;
E outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto,
cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem
tem ouvidos para ouvir, ouça.
E os seus discípulos o interrogavam, dizendo: Que
parábola é esta?
E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios de
Deus, mas aos outros por parábolas, para que, vendo, não
vejam, e, ouvindo, não entendam.
Esta é pois a parábola. A semente é a palavra de Deus;
E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem;
depois vem o diabo e tira-lhes do coração a palavra,
para que se não salve, crendo;
E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a
palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz,
apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se
desviam;
E a que caiu entre os espinhos, esses são os que
ouviram, e, indo por diante, são sufocados com os
cuidados, e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto
com perfeição;
E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a
palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão
fruto com perseverança" - (Lucas 8.5-15).
Veja também:
Gênesis 28.12
Tais princípios
estão contidos na Bíblia e nas cinco obras básicas da
Codificação, que os analisa de maneira racional e
interessante. São elas:
- O Livro
dos Espíritos (1857). Obra de caráter
filosófico. É considerado a espinha dorsal do
Espiritismo, já que todas as outras obras partem de seus
princípios.
- O Livro
dos Médiuns (1861). Demonstra as conseqüências
morais e filosóficas decorrentes das relações entre o
mundo material e espiritual.
- O
Evangelho segundo o Espiritismo (1864). Parte
religiosa e moral da Doutrina Espírita. Ensina a moral
cristã através de comentários sobre as principais
passagens da vida de Jesus Cristo.
- Céu e
Inferno (1865). Allan Kardec apresenta a
verdadeira face do desejado Céu, do temido Inferno, como
também do chamado Purgatório. Põe fim às penas eternas,
demonstrando que tudo no universo evolui.
- A Gênese
(1868). Mostra como foi criado o mundo, como apareceram
as criaturas e como é o Universo. É a parte científica
da Doutrina. Explica a Criação, colocando a Ciência e a
Religião face a face.
Veja mais sobre os
livros da Codificação na parte de Obras Básicas.
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Espiritualismo é o
oposto do materialismo. Este, como se sabe, é o grande
móvel da derrocada do homem, com sua doutrina
imediatista, egoísta e exclusivista. Todas as religiões
que acreditam existir no homem uma individualidade (alma
ou Espírito) que sobrevive à morte do corpo carnal são
espiritualistas. Entretanto, nem todo espiritualista é
espírita.
O Espiritismo, como já citamos, também acredita na
sobrevivência do Espírito e sua comunicação com o mundo
material, contudo, tem sua base científica, filosófica e
religiosa (moral) pautada na Codificação de Allan Kardec
e no Evangelho de Jesus Cristo. Portanto tem um corpo
doutrinário-filosófico organizado, utilizado por seus
adeptos em suas vidas cotidianas e nas sociedades
espíritas.
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Segundo o Espiritismo, as virtudes são eternas e os
defeitos temporários. O objetivo da criatura é trabalhar
incessantemente pela abolição das imperfeições e
aquisição dos valores morais que eleva progressivamente
o Espírito ao bem, ou à conquista do chamado "céu". Por
acreditar que o mundo espiritual é a verdadeira morada,
só aqueles que se elevam ao bem habitam as regiões
celestiais ditas paraíso onde, diferente de outras
religiões, o Espiritismo acredita habitarem Espíritos
que trabalham na edificação do mundo novo. Na verdade, o
céu não se trata de um lugar demarcado, mas de um estado
de perfeição espiritual conquistado individualmente pelo
Espírito, através de seu constante esforço. O que vale
dizer que uns apressam e outros retardam seu próprio
progresso.
"Porque o Filho do
homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e
então dará a cada um segundo as suas obras" -
(Mateus 16.27).
"A felicidade
suprema é prêmio exclusivo dos Espíritos perfeitos ou
puros. Eles a atingem só depois de haver progredido em
inteligência e moralidade" - (Allan Kardec).
Deus em sua
perfeição suprema, sendo a concepção da bondade e da
caridade, só pode ter criado os Espíritos para um dia
usufruírem da sua glória, e não para condená-los a
sofrimentos eternos. É lógico concluir que as penas
eternas são incompatíveis com a justiça do Pai.
A criação do inferno cristão se origina das concepções
pagãs das penas e gozos eternos, com uma grande dose de
exagêro. Deus condenaria sem piedade seus filhos maus a
expiarem para sempre em regiões de dores e sofrimentos
terríveis. Entretanto, em sua doutrina, Jesus nos trouxe
um ensinamento contrário a esse pensamento :
"...Ou qual de
vós, porventura, é o homem que, se seu filho lhe pedir
pão, lhe dará uma pedra? Ou, porventura, se lhe pedir um
peixe, lhe dará uma serpente? Pois se vós outros, sendo
maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto
mais vosso Pai, que está nos Céus, dará boas dádivas aos
que lhas pedirem" (Mateus - 7.11).
Portanto Deus, em
sua infinita bondade e justiça, jamais condenaria seus
filhos às penas eternas. Ao contrário, dá tantas
oportunidades quantas precisamos para nosso crescimento
espiritual.
O inferno, ou trevas segundo a Doutrina Espírita, é um
estado de consciência compartilhado por aqueles cujos
defeitos e sentimentos ruins predominam em suas
personalidades, que se inclinam ao mau e nele se
comprazem. São apenas irmãos imperfeitos e ignorantes,
que têm o inferno dentro de suas próprias consciências e
que, através de novas oportunidades dadas pelo Pai
Celestial, através de sucessivas experiências
encarnatórias também alcançarão a perfeição.
"E Ele lhes propôs
esta parábola, dizendo: Que homem dentre vós, tendo cem
ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as
noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a
achá-la?
E, achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso;
E, chegando a casa convoca os amigos e vizinhos,
dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a
minha ovelha perdida.
Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador
que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos
que não necessitam de arrependimento" - (Lucas
15.3-7).
"Assim também não
é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes
pequeninos se perca" - (Mateus 18.14).
O chamado
purgatório, por sua vez, é uma condição de sofrimento
temporário para as almas que necessitam da
conscientização de seus erros e ali permanecem até o
arrependimento destes. Esta idéia é defendida por várias
religiões, inclusive o Espiritismo, com alusão ao fato
de que a permanência neste estado espiritual é mais ou
menos longa, de acordo com a necessidade individual de
cada Espírito sofredor. Conhecido como umbral na
Doutrina Espírita, o purgatório é também um estado de
espírito e não um local definido ou circunscrito onde
habitam eternamente os Espíritos sofredores.
Analisando a questão por outro aspecto e levando-se em
consideração que somos seres imortais trabalhando
constantemente pela depuração do Espírito, pode-se
compreender que cada reencarnação em mundos de provas e
expiações, como a Terra por exemplo, funciona como uma "purgação"
para o Espírito que almeja sempre sua felicidade em
condições melhores.
"O purgatório não
é, portanto, uma idéia vaga e incerta: é uma realidade
material que vemos, tocamos e sofremos. Ele se encontra
nos mundos de expiação e a Terra é um deles. Os homens
expiam nela o seu passado e o seu presente em benefício
do seu futuro" - (Allan Kardec).
"Mas, amados, não
ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil
anos, e mil anos como um dia.
O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a
tem por tardia; mas é longânimo para convosco, não
querendo que alguns se percam, se não que todos venham a
arrepender-se" - (II Pedro 3.8-9).
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Só o preconceito pode justificar essa afirmativa.
Afinal, como uma doutrina embasada no Evangelho de Jesus
pode ligar alguém a demônios?
O Espiritismo não veio criar uma nova moral, mas sim
facilitar aos homens a compreensão e a prática da moral
do Cristo, ao dar uma fé sólida, racional e esclarecida
aos que buscam a verdade. Prega que o homem de bem, o
verdadeiro cristão, é aquele que pratica a lei de
justiça, amor e caridade em sua plenitude. Reconhece-se
o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e
pelos esforços que faz em dominar suas más inclinações.
O Espiritismo nos
ensina que Deus, na sua bondade e sabedoria infinitas,
não criou seres voltados ao mal por toda a eternidade.
Há Espíritos ignorantes e imperfeitos que nos inflamam
más paixões e nos induzem ao mal, assim como os bons
podem nos influenciar para o bem.
O diabo é a representação alegórica do mal, que resume
em si todas as mazelas dos Espíritos imperfeitos. São os
chamados demônios, que nada mais são que Espíritos
ignorantes e imperfeitos, ainda distantes do bem, que
diante de corações impuros e preconceituosos, se
comprazem com eles e lhes induzem ao erro,
promovendo-lhes más idéias e julgamentos. Esses
Espíritos não são patrimônio do Espiritismo e, como os
bons, também podem estar em todo lugar, podendo ser
atraídos por todos os que se afinam com seus
propósitos.
Lembramos que o
próprio Jesus foi citado por seus inimigos de ser
possuído por demônios, por falar de uma doutrina
contrária aos valores vigentes. Contudo suas obras
evidenciaram sua grandeza. É dele mesmo a afirmação de
que cada árvore é conhecida pelo seu fruto e o fruto da
Doutrina Espírita é evidenciado pelas suas boas obras. A
maior e mais importante obra do Espiritismo é
transformação da criatura através do estímulo ao
auto-conhecimento, retirando o homem do estado de
ignorância em que se encontra, instruindo-o ao nível da
luz.
"Mas alguns deles
diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe
dos demônios.
E outros, tentando-o, pediam-lhes um sinal do céu.
Mas, conhecendo Ele os seus pensamentos, disse-lhes:
Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e
a casa, dividida contra si mesma, cairá.
E se também Satanás está dividido contra si mesmo, como
subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os
demônios por Belzebu.
E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os
expulsam vossos filhos? Eles pois serão os vossos juizes.
Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus,
certamente a vós é chegado o reino de Deus" - (Lucas
11.15-20).
Veja também:
Mateus 9.34 - Mateus 11.18 - Mateus 12.33 - Marcos 3.22.
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A Umbanda é um culto religioso respeitado pelos
espíritas como todos os outros o são, até mesmo porque
está amparado no princípio geral da liberdade de crença
contido na Constituição do Brasil. Contudo, ela não é
Espiritismo. Seu acervo de símbolos, objetos,
instrumentos, práticas, etc, não se ajustam de maneira
alguma à Doutrina Espírita. Aqueles que confundem
Umbanda com Espiritismo se apegam às seguintes
afirmações: a Umbanda é espiritualista, rende culto a
Deus, fundamenta-se em fenômenos produzidos por
Espíritos desencarnados, aceita a reencarnação e faz
caridade. Todavia, a Umbanda tem culto material, rituais,
vestimentas específicas, imagens, altares, pontos
riscados e denominações totalmente especiais para
médiuns (cavalos) e Espíritos (exús, pretos-velhos,
caboclos, ibegis), que não existem no Espiritismo. Além
dessas abismais diferenças, a Umbanda não se rege pela
Codificação de Allan Kardec. Portanto, está claro que
embora espiritualista e ter características mediúnicas,
a Umbanda não constitui variante nem modalidade do
Espiritismo. Essa confusão se dá pelo desconhecimento do
que seja a Doutrina Espírita e conseqüente interpretação
errônea dos fenômenos da mediunidade.
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O Espiritismo não tem culto material e nem tem rituais,
não prescreve qualquer vestimenta, nem função
sacerdotal, não usa imagens, nem faz sacrifícios de
animais ou seres humanos, não tem símbolos ou sinais
cabalísticos, não faz cerimônias matrimoniais, ou de
batismo, nem exorcismo. Resumindo, a Doutrina Espírita
tendo como principal objetivo o cultivo dos valores do
Espírito é totalmente isenta de atos exteriores. Sua
nomenclatura se baseia nas obras da Codificação e suas
práticas mediúnicas são executadas dentro de um ambiente
evangélico de harmonia e oração, sem qualquer culto
exterior ou movimentos e palavreado estereotipados. Suas
reuniões mediúnicas são fechadas ao público e conduzidas
com rigor, onde não existem velas, cantos, danças,
cigarro, bebida ou cobrança de taxas.
Compreende-se, portanto, que qualquer culto que contenha
tais práticas, não pode e não deve receber a designação
de espírita.
"Deus é Espírito,
e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em
verdade" - (João 4.24).
"Amados não deis
crédito a qualquer Espírito. Antes, provai os Espíritos
se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm
saído pelo mundo afora" - (I João 4.1).
"E não consentia
que alguém levasse algum vaso pelo templo.
E os ensinava, dizendo: Não está escrito - A minha casa
será chamada por todas as nações casa de oração? Mas vós
a tendes feito covil de ladrões.
E os Escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido
isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam,
porque toda multidão estava admirada acerca da sua
doutrina" - (Marcos 11.16-18).
"Porque eu quero
misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de
Deus, mais do que o holocausto" - (Oséias 6.6).
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Dentre uma série de práticas rotuladas erroneamente como
espíritas, estão estas e também outras como a terapia
regressivas a vidas passadas (TRVP), a transcomunicação
instrumental (TCI), a cristalterapia, a cromoterapia,
ufologia etc. A maioria delas não possui fundamentação
doutrinária lógica, e não encontram respaldo nas obras
de Allan Kardec, portanto, não são práticas espíritas.
Qualquer Centro Espírita que se utilize de tais práticas
está se desviando dos seus verdadeiros e nobres
objetivos.
As notícias frequentemente veiculadas pela mídia em
geral, de que os espíritas previram o futuro, fizeram
oferendas a Iemanjá, estão ligados a culto demoníaco,
dentre outras, comprovam o desconhecimento que existe
sobre a Doutrina Espírita, apesar da sua atual expansão
e crescente número de adeptos. O Espiritismo não é
responsável pelos que abusam do seu nome e o exploram.
Assim como a ciência médica não o é pelos charlatões que
vendem suas drogas ou como a religião também não o é
pelos sacerdotes que abusam do seu ministério.
"Acautelai-vos dos
falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em
ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.
Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura,
uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?" -
(Mateus7.15-16).
"Se alguém ensina
alguma doutrina, e se não conforma com as sãs palavras
de Nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é
segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe mas delira
acerca de questões e contendas de palavras, das quais
nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas"
- (I Timóteo 6.3-4).
"Não vos deixeis
levar em redor por doutrinas várias e estranhas, por que
bom é que o coração se fortifique com graça, e não com
manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se
entregaram" - (Hebreus 13.9).
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Não há razões sensatas para o combate a uma doutrina que
segue o Evangelho de Jesus Cristo, baseada no bem e no
amor a Deus e ao próximo, discordante apenas das
convicções filosóficas de algumas outras. A intolerância
religiosa é marca dos falsos profetas, ignorantes na
carne e no espírito, fruto das idéias preconcebidas e da
presunção de serem donos da verdade. O combate ao
Espiritismo se deve ao desconhecimento das suas idéias e
à confusão que é semeada no meio, por aqueles que não se
dispõem a examiná-las com racionalidade. Contudo, a
Doutrina do Cristo frutificou apesar da falsa
interpretação e oposição daqueles que não a
compreendiam.
Se as pessoas que detratam o Espiritismo seguissem o
ensinamento do Apóstolo Paulo, quando nos exorta a
examinar tudo e reter o que é bom, certamente teriam
outro posicionamento diante de determinadas idéias que
repudiam sem conhecimento de causa. Se Jesus e seus
discípulos recuassem diante dos inimigos de sua
doutrina, o mundo hoje estaria órfão desse código de
conduta que norteia a humanidade.
"Há
verdadeiramente duas coisas diferentes: saber e crer que
se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se
sabe reside a ignorância" - (Hipócrates).
"E agora digo-vos:
Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este
conselho ou esta obra é de homens, se desfará.
Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não
aconteça serdes também achados combatendo contra Deus" -
(Atos 5.38-39).
"Bem-aventurados
os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque
deles é o reino dos Céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e
perseguirem, e mentindo, disserem, todo o mal contra
vós, por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o nosso galardão
nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram
antes de vós" - (Mateus 5.10-12).
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A Doutrina Espírita não comporta nenhuma ramificação.
Como já explicado, por suas convicções dispensa qualquer
ritual ou aparato. A designação popular de mesa branca
pode ter advindo do fato de que as reuniões mediúnicas
espíritas ocorrem, para simples acomodação, com os
participantes dispostos ao redor de uma mesa, algumas
vezes, com uma toalha branca recoberta sobre ela, o que
é absolutamente dispensável. Como tais reuniões tem
caráter íntimo e privado, disciplinado e beneficente, o
termo mesa branca surgiu para diferenciar o Espiritismo
de outros cultos, sendo este termo utilizado
popularmente também como sinônimo de Kardecista.
Trata-se de um equívoco generalizado, uma vez que só há
um Espiritismo (termo criado pelo próprio Allan Kardec)
e este não adota práticas exteriores para ser
diferenciado. Assim, nem mesa branca, alto ou baixo
Espiritismo, Espiritismo elevado etc, são sinônimos de
Doutrina Espírita.
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Allan Kardec perguntou aos Espíritos Superiores
(pergunta 459 do Livro dos Espíritos) sobre esta questão e a resposta é
clara e precisa: "Nesse sentido a sua influência é maior
do que supondes, porque muito frequentemente são eles
que vos dirigem".
Os Espíritos atuam frequentemente sobre o nosso
pensamento, dando-nos sugestões mais ou menos sensatas,
boas ou más segundo sua natureza. Quando desencarnados,
os Espíritos continuam com seus vícios ou virtudes e são
bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou
preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou
mentirosos, e estão por toda parte. Sendo assim,
facilmente nos influenciam o pensamento e ações, e
dependendo de nossa condição moral, recebemos boas ou
más influências, pela sintonia que se estabelece entre
os dois planos da vida. Aqueles providos de virtudes
facilmente poderão ser auxiliados pelos bons Espíritos,
ao contrário dos indivíduos voltados às paixões
vulgares.
Nos textos bíblicos encontramos uma série de citações
que nos falam dessa realidade. Eis alguns:
"E, pensando Pedro
naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três varões
te buscam. Levanta-te pois, e desce, e vai com eles, não
duvidando, porque eu os enviei" - (I Atos 10.19-20).
"Quando o Espírito
imundo tem saído do homem, anda por lugares secos,
buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para
minha casa donde saí.
E, chegando, acha-a varrida e adornada.
Então vai, e leva consigo outros sete Espíritos piores
do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado
desse homem é pior do que o primeiro" - (Lucas
11.24-26).
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Toda moral de Jesus se resume na caridade e na
humildade, sentimentos contrários ao egoísmo e ao
orgulho, fontes das más inclinações. Em todos os
ensinamentos do Mestre, as virtudes são apontadas como o
caminho para a paz espiritual e a felicidade eterna.
Sabendo-se que os Espíritos aliam-se a nós pela
afinidade de pensamentos e sentimentos, o cultivo dos
bons pensamentos, o esforço para melhoria íntima e a
prática da caridade aliados à oração, dificultam muito
ou até mesmo impossibilitam o acesso dos maus Espíritos
ao nosso pensamento.
A doutrina de Jesus tem como objetivo levar o ser ao
entendimento de sua condição de Espírito imortal, fadado
à perfeição. Através do auto-conhecimento, trabalhando
incessantemente para exterminar vícios e adquirir
virtudes, poderemos nos livrar com mais facilidade das
más companhias espirituais.
"Vigiai e orai,
para que não entreis em tentação; o Espírito, na
verdade, está pronto, mas a carne é fraca" - (Marcos
14.38).
"Por isso vos digo
que tudo que pedirdes, orando, crede que o recebereis, e te-lo-eis;
E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma
coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos
Céus vos perdoe as vossas ofensas;
Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai que está
nos Céus, vos não perdoará vossas ofensas" - (Marcos
11.24-26).
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É
uma faculdade natural de toda criatura viva. Podemos
dizer que é um canal psíquico que todos possuem e que
liga o Espírito encarnado ao mundo invisível. É,
portanto, através da mediunidade que os encarnados
recebem a influência dos desencarnados, funcionando como
uma ponte entre os dois planos.
Embora seja faculdade comum a todos as criaturas, em
alguns indivíduos ela se encontra mais exacerbada, sendo
capaz de produzir fenômenos ostensivos como a
profetização, a psicografia e os efeitos físicos.
Sendo uma faculdade orgânica, não depende da qualidade
moral de quem a possui. Isso faz com que haja uma grande
diversidade no uso que se faz dela, existindo tanto
aqueles que a utilizam para o bem, como para fins
ilícitos, inclusive os comerciais.
"Acerca dos dons
espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes"
- (I Corintios 12.1).
"Todas as nossas
faculdades são favores que devemos agradecer a Deus,
pois há criaturas que não as possuem. Podias perguntar
porque Deus concede boa visão a malfeitores, destreza
aos larápios, eloquência aos que só a utilizam para o
mal. Acontece o mesmo com a mediunidade. Criaturas
indignas a possuem porque dela necessitam mais do que as
outras, para se melhorarem" - (Livro dos Médiuns -
Questão 226).
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Se
todos são dotados desse canal psíquico por onde recebem
influência espiritual, logo todas as pessoas são
médiuns. Há aqueles, contudo, com uma capacidade
ostensiva de receber e transmitir comunicações de
Espíritos, atuando como intermediários ou como agentes
das manifestações dos Espíritos. Estes são dotados de
mediunato, uma faculdade especial, suscetível de
desenvolvimento, e que, quando bem direcionada, pode ser
utilizada como um importante meio que os Espíritos
superiores utilizam para edificar o ser ao nível do
entendimento.
Segundo sua aptidão, o médium pode exercer sua tarefa em
uma das muitas variedades de mediunidade, como por
exemplo escreventes ou psicógrafos, falantes, de efeito
físico, videntes, curadores, entre outros.
A pessoa dotada deste dom divino, tem a obrigação de se
instruir sobre ele a fim de colocá-lo a serviço da obra
do Senhor. A mediunidade só tem sentido quando praticada
com essa finalidade.
"Mas a
manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que
for útil.
Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria;
a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;
E a outro, pelo mesmo Espírito a fé; e a outro, pelo
mesmo Espírito, os dons de curar;
E a outro a operação de maravilhas; e a outro a
profecia; e a outro o dom de discernir os Espíritos; e a
outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação
das línguas" - (I Corintios 12.7-10).
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A
mediunidade, tampouco os médiuns, são privilégios do
Espiritismo ou foram inventados por ele. A mediunidade
sempre existiu, uma vez que sempre existiram os planos
material e espiritual. A própria Bíblia refere-se às
suas manifestações em diversas de suas passagens, assim
como é identificada nas práticas de muitas religiões da
atualidade, embora com outros nomes.
O Espiritismo simplesmente trouxe os ensinamentos
capazes de nos orientar a tirar melhor proveito da
mediunidade, no sentido de fazer dela um instrumento
moralizador e de libertação dos Espíritos. É uma fonte
material que prova a sobrevivência da alma após a morte,
ampliando nossos conhecimentos acerca dos ilimitados
horizontes espirituais. Sua prática não tem como meta
apenas a produção de fenômenos destinados a despertar os
incrédulos ou curar suas enfermidades espirituais ou
carnais; serve para alertar o ser humano de sua
necessidade de despertar para o sentido verdadeiro da
vida. Quando bem utilizada é uma importante alavanca
para a evolução espiritual.
"Então disse Saul
aos seus criados: Buscai-me uma mulher que tenha o
Espírito de adivinha, para que vá a ela e a consulte. E
os seus criados lhe disseram: Eis que em Endor há uma
mulher que tem o Espírito de adivinhar.
E Saul se disfarçou e vestiu outros vestidos, e foi ele,
e com ele dois homens, e de noite vieram à mulher; e
disse: Peço-te que me adivinhes pelo Espírito de
adivinha, e me faças subir a quem eu te disser.
Então a mulher lhe disse: Eis aqui tu sabes o que Saul
fez, como tem destruído da terra os adivinhos e os
encantadores; porque, pois, me armas um laço a minha
vida, para me fazer matar?
Então Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o
Senhor, que nenhum mal te sobreviverá por isso. A mulher
então lhe disse: A quem te farei subir? E disse ele:
Faz-me subir a Samuel.
Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou em alta voz; e a
mulher falou a Saul, dizendo: Por que me tens enganado?
Pois tu mesmo és Saul.
E o rei lhe disse: Não temas; porém que é o que vês?
Então a mulher disse Saul: Vejo deuses que sobem da
terra.
E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem
subindo um homem ancião, e está envolto numa capa.
Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto
em terra, e se prostrou" - (I Samuel 28.7-14).
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O
Espiritismo nos ensina que as comunicações inteligentes
ocorrem por uma ação do Espírito sobre o médium, devido
a uma afinidade ou sintonia entre o pensamento de ambos.
Tais comunicações podem ser realizadas espontaneamente
ou por meio das evocações dos Espíritos e, como já
citado, tem caráter privado e moralizador. Através da
comunicabilidade estabelecem-se as condições para se
consolar os Espíritos sofredores, desvendar os laços
entre aqueles que se odeiam e se acham perturbados e
ainda receber orientações dos bons Espíritos. Estas
práticas são realizadas nas chamadas reuniões
mediúnicas, ou sessões espíritas, conduzidas de acordo
com a disciplina da Codificação Kardequiana e com o
Evangelho de Jesus, com o máximo de simplicidade,
seriedade e preferencialmente, nos Centros Espíritas.
Dela participam médiuns e orientadores, estes últimos
denominados dirigentes da reunião, que são incumbidos da
interpretação das comunicações e orientação dos médiuns
e Espíritos.
Uma reunião mediúnica séria e confiável é aquela onde
prevalecem os bons sentimentos, a harmonia e
homogeneidade de pensamentos entre a equipe de trabalho.
É prudente ter cautela com aquelas que não obedecem
certos critérios de disciplina, que não valorizam o
estudo, tampouco se preocupam com a moralização dos
médiuns.
"Se o médium é de
baixa moral, os Espíritos inferiores se agrupam em torno
dele e estão sempre prontos a tomar o lugar dos bons
Espíritos a que ele apelou. As qualidades que atraem de
preferência os Espíritos bons são: a bondade, a
benevolência, a simplicidade de coração, o amor ao
próximo, o desprendimento das coisas materiais" -
(
Allan Kardec).
"Que fareis, pois
irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo,
tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem
interpretação. Faça-se tudo para edificação.
E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por
dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja
intérprete.
Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja,
fale consigo mesmo e com Deus.
E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.
Mas se a outro, que estiver assentado, for revelada
alguma coisa, cala-se o primeiro.
Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros;
para que todos aprendam, e todos sejam consolados" -
(I Corintios 14.26-31).
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Sabendo-se que os Espíritos estão por toda parte e que a
mediunidade é uma faculdade inerente a qualquer pessoa,
é evidente que nem todos os que lidam com Espíritos são
espíritas. As pessoas que assim pensam têm total
desconhecimento do que é o Espiritismo.
Esse falso julgamento faz com que as pessoas tenham uma
idéia errônea do que seja a Doutrina Espírita e dela se
afastem sem buscar conhecê-la.
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Espírita é aquele que crê, estuda e segue a Doutrina
Espírita. É reconhecido pelo esforço que faz em
aprimorar-se dentro dos princípios cristãos, não tendo
necessariamente que trabalhar com a mediunidade.
A faculdade mediúnica como missão, ou mediunato, como
todas as demais faculdades, não deve ser imposta. Uma
vez detectada e em acordo com o desejo do médium, deve
ser desenvolvida em sessões espíritas apropriadas, com
dedicação sincera e humildade, para ser verdadeiramente
produtiva. O espírita pode servir em muitas outras
frentes de trabalho que nada tem a ver com a
mediunidade, buscando, contudo, em todas as
oportunidades fazer o melhor possível.
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O funcionamento do organismo humano está subordinado a
uma direção espiritual, uma vez que a saúde ou a
enfermidade reflete o panorama interior do Espírito.
Disso se conclui que a alma retém todos os recursos
curadores definitivos.
Todos somos dotados de uma energia, um magnetismo ou
fluido natural, específico, denominado fluido vital. É o
princípio da vida material e pode ser de melhor ou pior
qualidade dependendo da ação de nosso pensamento sobre
ele. Tal fluido tem a capacidade de atuar na intimidade
celular, alterando as estruturas moleculares. Fazendo
parte da estrutura orgânica do ser, pode ser doado ou
recebido por intermédio da nossa vontade. Algumas
pessoas não têm a capacidade de secar uma planta ou
adoecer uma criança através de um simples olhar mal
intencionado? Outros não nos dão a sensação de bem estar
apenas nos tocando ou olhando? São fenômenos naturais da
emanação do fluido vital e fonte de muito conhecimento
ainda obscuro no campo da ciência oficial.
Tal fluido, vindo
do médium, pode ter sua capacidade voltada para a cura,
quando auxiliado por um bom Espírito. Ambos podem
dar-lhe um determinado fim que o faz adquirir
propriedades novas, facultando-lhe a possibilidade de
substituir moléculas doentes por sadias, proporcionando
assim a cura das enfermidades físicas. Desta forma é que
ocorrem as cirurgias ou tratamentos espirituais, que se
utilizam destes fluidos com capacidade curadora através
das qualidades morais que lhe são impostas.
Tais procedimentos podem ser realizados pela simples
imposição das mãos, ou simplesmente do pensamento
dirigido ao enfermo.
As práticas de
cura mediúnica em que são utilizados instrumentos de
corte e ou receitas não são recomendados, inclusive pela
ilegitimidade legal das mesmas em nossa sociedade.
Estas, muitas vezes legítimas, têm apenas a finalidade
de promover ou despertar a atenção dos incrédulos acerca
dos fenômenos espirituais.
Assim, uma grande força fluídica, aliada à soma das
qualidades morais de quem a utiliza, pode operar
verdadeiros prodígios sobre as enfermidades, ressaltando
que a ocorrência destes está ligada ao merecimento e a
fé dos enfermos.
"E ele lhe disse:
Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz" -
(Lucas 8.48).
"E Deus, pelas
mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto
de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso
pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das
suas vítimas, e os Espíritos malignos se retiravam" -
(Atos, 19 - 11, 12).
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O
passe é uma transmissão de fluidos benéficos, com
caráter assistencial e regenerador, que é aplicado pela
simples imposição de mãos, dispensando qualquer contato
físico entre o passista e o receptor. O passe permite a
regeneração dos enfraquecidos, física ou
espiritualmente. O passista detém uma grande
responsabilidade, pois cabe a ele impor as mãos sobre as
pessoas carentes e abençoá-las em nome do Criador. Ele
não é nenhuma pessoa especial, necessita apenas ter o
desejo sincero de servir e viver uma vida sadia, sem
vícios e cultivando bons pensamentos.
"E disse Pedro:
Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho isso te dou.
Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta e anda" -
(Atos 3.6).
"E rogava-lhe
muito dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que
venhas e lhe imponhas as mãos para que sare e viva. E
foi com ele, e seguia-o uma grande multidão que o
apertava" - (Marcos 5.23-24).
"Curai os
enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos,
expulsai os demônios: De graça recebestes, de graça dai"
- (Mateus 10.8).
"Pegarão nas
serpentes, e, se beberem alguma coisa mortífera, não
lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos,
e os curarão" -(Marcos 16.18).
"E os apresentaram
ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as
mãos" - (Atos 6.6).
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"Porque onde
estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu
no meio deles" - (Mateus 18.20).
O Centro Espírita
é uma casa religiosa onde se ensina, pratica, estuda e
divulga a Doutrina Espírita. Em suas atividades estão
incluídas palestras públicas, nas quais são comentados
ensinamentos da Codificação Kardequiana e do Evangelho
de Jesus, além de assistência espiritual e material aos
necessitados.
O socorro espiritual é obtido através do atendimento
individual àqueles que se encontram em aflição e
desequilíbrio, com orientações e passes como fonte de
regeneração e amparo. Também inclui sessões espíritas
reservadas onde se lida com a mediunidade na área da
desobsessão (perturbações espirituais), sem a
participação dos necessitados, onde são esclarecidos e
afastados Espíritos sofredores ou de corações
endurecidos que porventura sejam a causa de seus
problemas.
O Centro Espírita
tem como objetivo primeiro, orientar as pessoas no
sentido de melhorar sua qualidade de vida através da
ação reeducadora da moral do Cristo. Endereçando o homem
a esse entendimento, ele de forma mais ou menos rápida,
poderá livrar-se das más influências e atrair as boas,
que o ajudarão a seguir adiante de forma equilibrada e
sadia.
Ao procurar um Centro Espírita, todos poderão receber
orientação individual através de entrevistas
particulares, participar de palestras públicas e receber
passes. O contato com o estudo da Doutrina e com os
Espíritos depende de normas rígidas e particulares de
cada Centro, mas o bom senso nos diz que a disciplina e
o estudo são metas que devem ser observadas com rigor
para o sucesso das atividades.
O socorro
material, por sua vez, é considerado como uma atividade
paralela, mas de grande importância.
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